| Asunto: | [portugues_alc] CUBA: Colóquio analisa religiões afro e identidades nu m mundo globalizado | | Fecha: | Miercoles, 27 de Julio, 2005 21:29:49 (-0500) | | Autor: | ALC <director @...........org>
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CUBA
Colóquio analisa religiões afro e identidades num mundo globalizado
Por Enrique Lopez Oliva
HAVANA, julho 27 (alc). Praticantes de religiões afro-americanas, cientistas
sociais, biblistas, ex-sacerdotes católicos, jornalistas e especialistas
analisaram, sob diversas perspectivas, a evolução da religiosidade de origem
africana no continente americano.
Durante quatro dias, de 19 a 22 de julho, reuniram-se nesta capital
representantes de 11 países latino-americanos, dos Estados Unidos, da
Espanha e da França no IV Colóquio Internacional de Religião e Sociedade:
"Religiões afro-americanas e as identidades num mundo globalizado".
O evento foi organizado pela Associação Latino-Americana para o Estudo das
Religiões (ALER), com o co-patrocínio de várias instituições cubanas, entre
elas a Fundação Don Fernando Ortiz e a Casa da África.
O sincretismo e a presença negra na América e a exportação da santeria
cubana continuam sendo objeto de debates entre pesquisadores. Para alguns,
revelar a mescla e criações de novos produtos culturais continua tendo uma
perspectiva de imposição colonialista. Outros sustentam que, em tempos de
globalização, é cada vez mais difícil falar de culturas "incontaminadas", e
que a mescla é uma oportunidade para o enriquecimento dos implicados.
No Colóquio, os participantes travaram contato com a histórica presença da
população negra africana - logo, mesclada, especialmente com indígenas de
diferentes etnias - no México. Viram que a santeria cubana já existia no
México antes das migrações que tiveram lugar depois de 1959.
Lamentaram não disporem de mais tempo para a análise de temáticas novas,
como a relação internet e religiões, que faz emergir novos tipos de
comunidades religiosas on line. Para tanto, é preciso revalorizar muitos dos
supostos sobre os quais se assentou até aqui a análise das religiões.
O caso cubano foi abordado pela pesquisadora María I. Faguaga. Ela enfatizou
que as tradicionais relações assimétricas nas quais se localizaram os grupos
sócio-culturais portadores iniciais do catolicismo romano e das religiões
afro são uma das piores heranças colonialistas que hoje se expressam no
imaginário de uma parte de sua população, incluída a hierarquia católica na
Ilha. Isso, assegurou, dificulta a possibilidade de se buscar o consenso
amplo, que a sociedade cubana precisa nos dias de hoje.
O presidente da ALER, o argentino Elio Masferrer Kan, professor da Escola
Nacional de Antropologia e História do México, informou que a ALER foi
fundada em 1990, na Cidade do México, no marco do IV Congresso
Latino-Americano sobre Religião e Etnicidade, com o propósito de estudar
cientificamente o tema religioso.
Embora a ALER tenha sido fundada no México, explicou Kan à ALC, ela não é
uma instituição mexicana, mas latino-americana. ALER realizou colóquios e
congressos na Cidade do México, Bogotá, Lima, Buenos Aires, Padova, Jerez de
la Frontera, na Espanha. O próximo congresso será realizado no Brasil.
O objetivo do colóquio em Havana foi realizar um trabalho sobre religiões
afro-americanas e, mais especificamente, sobre religiões afro-caribenhas.
Kan disse que lhe pareceu importante realizá-lo em Cuba, porque ali existe
um desenvolvimento significativo das religiões afro-cubanas, e também para
apoiar o grupo local de pesquisadores.
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